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segunda-feira, 27 de junho de 2011

My brother thinks he's a chicken

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Vêr pela primeira vez Who's Afraid of Virginia Woolf? no cinema pode ter o mesmo impacto que vêr qualquer Cassavetes, também no cinema. Aliás, e curiosamente, este filme que antecede a New Hollywood lembra de certa forma Faces, que estreou dois anos depois, em 1968. Para além de vários aspectos de imagem, em ambos os filmes trata-se de forma crua o desabar de um casamento num curto espaço de tempo. O ódio e a ironia, que sempre tiveram presentes, agudizam-se de tal forma que é inevitável a chegada a um ponto aparentemente nunca antes chegado, a ruptura. Ruptura essa indispensável e necessária para um novo começo e uma nova tentativa, afinal de contas, e apesar de toda a irracionalidade e absurdo das relações, most of us need the eggs.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Éric

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Apesar de vários erros de raccord algo chatos e interpretações duvidosas, este La Carrière de Suzanne é impressionante. Aliás todos os Seis Contos Morais de Éric Rohmer o são, cada um à sua maneira. Em comum têm como fio condutor as relações humanas "contemporâneas", precedendo Woody Allen nesse tipo de abordagem.
Neste segundo conto, perto do final, o protagonista crê ter sido "traído" por uma rapariga e não pelo seu melhor amigo, apesar de tudo indicar o contrário. "Traído" devido a um roubo de dinheiro, e não no sentido sentimental (ou físico, já que o termo "traição" nestes seis contos de Rohmer pode passar por vários estados). Depois do ódio inicial após tê-la conhecido passando pela fixação por ela semanas depois, ele agora tudo faz para que ela lhe seja indiferente. Tenta ele manipular o seu cérebro de forma a pôr um ponto final naquela relação (infantil, como alguém diz). Este acabou por ter o que queria mas de imediato se apercebe de uma Suzanne que nunca viu, ou que nunca quis vêr, e, claro está, já é tarde demais. Rohmer faz quase sempre questão de deixar os seus protagonistas caírem em tragédia sentimental, questionando-os sobre aquilo que poderiam ter tido e o que não souberam gerir, à falta de melhor termo. O que é bom nesse julgamento pessoal é todo o processo mental de cada protagonista (de cada filme) que o antecede, funcionando em certas alturas, de forma perspicaz, quase como um espelho aos olhos do espectador. O espectador quer julgar estes personagens mas ao mesmo tempo é provocado por estes actos imorais. Cruelmente. Sem comédia por cima a fazer de disfarce.