A carreira de Dennis Hopper enquanto realizador sempre foi algo obscura após o sucesso de Easy Rider, no entanto há um filme que deve ser destacado que surge na viragem para os anos 80 e consequente queda dos mavericks, de seu nome Out of the Blue. Neste filme Hopper aprofunda os laços que se vão quebrando entre família e a revolta que daí advém. O porquê das coisas com o tempo se alterarem, contra a nossa vontade. O ódio inconsciente que cresce numa série de relações, mesmo nós não querendo que tal aconteça. Face à frieza do meio (o meio pesado de Hopper), a desilusão e a mágoa são inevitáveis. Este é um filme especial. Os problemas são reais, assim como as personagens. São pessoas reais. E Dennis Hopper sempre foi verdadeiro. Neste filme as homenagens aos seus heróis são várias, principalmente a Neil Young e Elvis. Pois também o próprio Hopper foi um ícone. O maverick que abanou Hollywood.
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sexta-feira, 1 de julho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
My brother thinks he's a chicken
Vêr pela primeira vez Who's Afraid of Virginia Woolf? no cinema pode ter o mesmo impacto que vêr qualquer Cassavetes, também no cinema. Aliás, e curiosamente, este filme que antecede a New Hollywood lembra de certa forma Faces, que estreou dois anos depois, em 1968. Para além de vários aspectos de imagem, em ambos os filmes trata-se de forma crua o desabar de um casamento num curto espaço de tempo. O ódio e a ironia, que sempre tiveram presentes, agudizam-se de tal forma que é inevitável a chegada a um ponto aparentemente nunca antes chegado, a ruptura. Ruptura essa indispensável e necessária para um novo começo e uma nova tentativa, afinal de contas, e apesar de toda a irracionalidade e absurdo das relações, most of us need the eggs.
sábado, 4 de junho de 2011
Xadrez
Em Night Moves, de Arthur Penn, o protagonista Gene Hackman, que apanhou horas antes a sua mulher a traí-lo, está sentado a ver um jogo de futebol americano. A mulher chega a casa sem saber de nada e pergunta-lhe sobre o jogo: quem está a ganhar? Ao que ele responde: ninguém, uma equipa está a perder mais lentamente do que a outra. Não é tão trágico como aquilo que o outro disse nos anos 80: the only winning move is not to play, ainda assim não deixa de ter o seu encanto. Enquanto que uma das frases pressupõe uma apatia e descrença natural já que só no início se poderia ter tomado uma decisão, a outra remete-nos para uma existência que adia aos poucos o erro, ou a perda. Seja em que jogo fôr.
domingo, 29 de maio de 2011
Winter Lady
Traveling lady, stay awhile
until the night is over.
I'm just a station on your way,
I know I'm not your lover.
Well I lived with a child of snow
when I was a soldier,
and I fought every man for her
until the nights grew colder.
She used to wear her hair like you
except when she was sleeping,
and then she'd weave it on a loom
of smoke and gold and breathing.
And why are you so quiet now
standing there in the doorway?
You chose your journey long before
you came upon this highway.
Traveling lady stay awhile
until the night is over.
I'm just a station on your way,
I know I'm not your lover.
A child of snow
Há sempre uma magia especial quando se revê McCabe and Mrs. Miller. De entre os grandes filmes de Robert Altman, este está muito perto de ser a sua magnum opus. É certo que quando se fala de Robert Altman é sempre muito complicado falar dos melhores filmes, ou do opus entre os melhores, já que é possível que seja dos poucos americanos que se possa gabar de ter 8-10 obras-primas em 30 e poucos filmes. Ainda assim este seu Western (ou anti-Western, como o apelidou) é de uma frieza cortante e, ao mesmo tempo, uma dedicatória terna sobre o que será o amor, a perda e o arrependimento. Nas derradeiras cenas finais, ouve-se Leonard Cohen. Traveling lady, stay awhile/ until the night is over/ I'm just a station on your way/ I know I'm not your lover. Parcialidades à parte, haverá final mais belo na história do cinema?
domingo, 22 de maio de 2011
Greetings
Um filme curioso de Brian De Palma, que tem como sequela o não menos peculiar Hi, Mom!, onde Robert De Niro reencarna na mesma personagem.
À semelhança de tantos outros filmes do final dos anos 60 (e até princípios de 70), este Greetings define o estado de paranóia e alerta da sociedade norte-americana no pós-assassinato de JFK e durante a Guerra do Vietname. Depois de uma breve homenagem a Antonioni (e ao seu Blow-Up), De Palma mergulha no espírito de uma sociedade de controlo e através do bizarro começa a aprofundar já aqui o voyeurismo como uma das grandes temáticas da sua obra.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Whatever it is
Assinale-se este regresso pegando n'O filme que passou ontem na Cinemateca, The Last Picture Show.
Da ficha do filme:
"Uma das chaves de The Last Picture Show é o momento em que a mãe de Jacy diz ao protagonista que ela era a jovem que, há anos atrás, se banhava nua no lago em companhia de Sam: "I guess if it wasn't for Sam I'd just about missed it, whatever it is". E este seja lá o que for já foi entrevisto e vivido pelo jovem protagonista, embora ele também não saiba o que é. Talvez nunca venha a saber "o que é", mas sabe que é, seja lá o que for e que punge."
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