As cenas finais de Night and the City de Jules Dassin são particularmente interessantes tendo em conta o comportamento do protagonista ao longo do filme. Ascensão e queda de um small time crook, sem no entanto ter havido efectivamente qualquer tipo de ascensão, ou até de queda, diga-se. É o próprio que o confirma nas derradeiras cenas. Esteve tão perto de tudo, mas por pequenos detalhes deitou tudo a perder. Frases a mais, e demais, talvez. Pequenos erros quando tudo parecia correr bem. Uma vez mais Dassin opta pela rendição moral dos seus protagonistas. Não é que se arrependam das suas acções, mas em estado de desespero estas personagens sentem necessidade de qualquer tipo de libertação espiritual, algo que absolva todas as suas más decisões antes da ruptura. O final, esse, é mais uma brutalidade de eventos a que Dassin já nos habituou. Há atitudes que têm de ser tomadas independentemente das consequências. As consequências, essas, já se conhecem, mas as acções que as antecedem são o que dão particular gozo. Kind of the stuff that dreams are made of.
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terça-feira, 12 de julho de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Nobody ever really escapes
As premissas de Jules Dassin neste poderoso Brute Force não andarão muito longe da extorsão, força, violência e fuga. Aliás, praticamente toda a obra de Dassin anda em torno destes temas. Personagens enclausurados nas suas próprias prisões, onde apenas o dinheiro e o poder as move. Neste filme essas prisões são, efectivamente, as celas de uma prisão. Planeia-se a fuga em grupo mas o meio é implacável.
Quase se pode fazer um paralelismo anos mais tarde com Le Trou, de Jacques Becker. No entanto, enquanto que num a fuga assemelha-se para o protagonista mais como uma libertação de espírito (pese ainda assim a violência brutal das derradeiras cenas), em Becker esta materializa-se na fraqueza da experiência em prol da extorsão. Representa a certeza de que escolhido esse caminho, acarretam-se os riscos e nada se poderá fazer dali em diante.
Em ambos os casos é mostrado ao espectador o vazio e a frieza que pairam nos corredores das prisões no fim de cada tentativa de fuga. Não com uma conotação moralista, afinal estamos a falar de Becker e Dassin, mas como alerta precisamente para o terror que será a vida daqueles que ousaram escapar.
Uma coisa é certa: em ambos os casos é proposta uma alternativa à máxima the only winning move is not to play. Não tentando a fuga, quase todos sairão da prisão, ainda que muitos anos mais tarde. Ainda assim, entrando no jogo, ou se ganha ou se perde, para sempre, para os dois lados.
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